O vírus da raiva pode ser contraído o ano todo

A raiva pode matar em praticamente 100% dos casos, mas também pode ser prevenida de muitas formas. A mais conhecida delas é a vacinação de cães e gatos. Somente no ano passado, segundo dados da Divisão de Zoonoses da Secretaria Municipal da Saúde de Sorocaba, a cidade imunizou 80.591 animais.

 

Além da vacinação, há outras maneiras importantes — e fundamentais — de se prevenir a doença. Uma delas, por exemplo, é evitar sempre o contato com morcegos. “Nunca manipule um morcego caído sem equipamentos de proteção. Deve-se cobrir o animal com um balde ou uma caixa e ligar para a Divisão de Zoonoses para recolhermos e encaminharmos para exame de raiva”, informa a médica veterinária Thais Buti, da própria divisão. Após o eventual contato com o morcego, é preciso buscar assistência médica imediatamente.

 

Outra maneira de prevenção é lavar imediatamente o local de uma mordedura de cão, gato ou morcego com água corrente abundante e sabão ou detergente. “Isso diminui o risco de infecção”, comenta a veterinária. Nesse caso, também é necessário o auxílio médico imediato, assim como, se possível, manter o animal em observação por 10 dias para verificar eventuais sintomas da doença. Já os bichos com suspeita de contaminação devem ser examinados por um veterinário, único profissional capaz de realizar o diagnóstico com clareza, inclusive diferenciando a raiva de outras doenças que atingem o sistema nervoso.

 

Em Sorocaba, os últimos casos registrados de raiva foram de um morcego, em 2011, e de um cão, no início da década de 1990. Não há relatos da doença em seres humanos.

 

 

Sintomas

 

 

A raiva é transmitida dos animais aos humanos, principalmente por meio de mordidas. “Apenas os mamíferos transmitem e adoecem pelo vírus da raiva. O morcego é a espécie de alto risco para transmissão”, explica Thais. “Poucos pacientes sobrevivem à doença, a maioria com sequelas graves”, completa.

 

O vírus demora entre 20 e 90 dias para começar a agir. Após esse período, a pessoa sofre com febre, dor de cabeça, tontura, prurido e formigamento ao redor do local da mordida. O paciente também pode apresentar dor de garganta, dificuldade para deglutir, salivação, diarreia, dor abdominal e outras alterações do trato digestivo, assim como ficar desorientada, com alterações da visão e da audição. “Em alguns dias, as alterações neurológicas se intensificam, com alterações de comportamento, agitação, hidrofobia, aerofobia, fotofobia (pequenos estímulos podem provocar convulsões), hiperventilação, incoordenação, espasmos, delírios e alucinações, entre outras alterações nervosas”, comenta Thais. Na maioria dos casos, a morte ocorre por parada cardíaca.

 

No caso dos animais, os sintomas variam conforme a espécie. De maneira geral, eles apresentam dificuldade para engolir, salivação abundante, mudança brusca de comportamento, mudança de hábitos alimentares e cotidianos e paralisia das patas traseiras. “Os morcegos, com a mudança de hábito, podem ser encontrados durante o dia, em hora e locais não habituais”, comenta a veterinária.

 

 

Prevenção

 

 

Para o próximo mês, estão previstas ações educativas de prevenção contra a doença, realizadas pela Zoonoses. Uma nova campanha de vacinação de cães e gatos está prevista para novembro, dependendo do repasse de vacinas por parte do Ministério da Saúde.

Fonte: Jornal Cruzeiro

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